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Zé Henrique lança BrainBox
06/05/2008
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A BrainBox Design Estratégico, nova empresa do designer gráfico Zé Henrique
Rodrigues, conta com uma equipe composta exclusivamente por designers.

Com mais de 13 anos de carreira, 10 deles atuando na OpusMúltipla Comunicação Integrada, o designer Zé Henrique Rodrigues lança oficialmente a BrainBox Design Estratégico, inaugurada no início deste ano, com a proposta de implantar um conceito próprio de atendimento. O novo estúdio de design gráfico, que tem como sócio minoritário o também designer Ludger Tamaoki, é formado exclusivamente por designers, que atendem diretamente os clientes. A BrainBox concretiza um dos ideais do profissional, que abandonou a situação estável na empresa do pai, a OpusMúltipla, para se lançar em uma carreira solo e realizar projetos pessoais que não seriam possíveis enquanto estivesse na agência.

Com muitos prêmios nacionais e internacionais no currículo, Zé Henrique, atualmente coordenador do curso de design gráfico da Lemon School e vice-presidente do CCPR – Clube de Criação do Paraná, ingressou na atividade com muita humildade, passando por todas as etapas de aprendizado e prática, a partir de sua formação em Design Gráfico pela PUCPR. A trajetória incluiu vários cursos no Brasil e exterior e, como afirma Zé Rodrigues, "exige estudos e aprendizado permanentes". Um pouco dessa experiência e as propostas do novo estúdio são assuntos desta entrevista exclusiva concedida pelo designer ao ClickMarket.

Zé Henrique Rodrigues. "Queremos manter uma equipe pequena e
administrar poucos jobs. Tudo aqui deve
ser à la carte, nada de buffet de criação.
Nada de loucura, noites em claro. Saímos
cedo, temos final de semana, temos vida
após o expediente. Estamos testando esse
modelo há mais de um ano e tem funcionado
bem. Vimos que isso não é utopia de criativo.
Funciona e reflete nos clientes. Somos mais
dispostos e mais alegres. Nosso envolvimento
é maior com cada marca que cuidamos."


ClickMarket – Como começou sua história como designer?

Zé Henrique Rodrigues –
Posso dizer que começou cedo, acho que sob influência de minha mãe, que sempre adorou artes plásticas. Obviamente, a OpusMúltipla também teve seu papel nessa decisão. Eu e meu irmão costumávamos brincar na agência após o expediente. Lembro-me de ficar fascinado com as pranchetas, tintas, caixas de letraset e pincéis dos diretores de arte. Posso dizer que a opção pelo design gráfico originou-se pela vocação e também foi inspirada pela empresa de comunicação da família. A fase profissional começou em 1994, na própria OpusMúltipla.

ClickMarket – E como foi a sua trajetória dentro da agência.

Zé Henrique –
Comecei como todos os iniciantes: como estagiário. Meu chefe sempre foi o Desidério Pansera, meu grande guru profissional. Considero-me um privilegiado por ter trabalhado com ele, principalmente pelo fato de, desde o início, ele ter deixado claro que eu era apenas mais um lá dentro. Nunca tive nada facilitado, pelo contrário, ele me fez suar sangue em muitos momentos. Na medida em que os anos passaram, aprendi e evoluí profissionalmente. Então fui sendo promovido para outras funções como assistente de arte, auxiliar de arte, designer júnior, pleno, senior, até chegar a gerente da área de design da agência.

ClickMarket – Quais os gurus e parceiros importantes?

Zé Henrique –
Dentro da agência, como já citei, o próprio Desidério, que me ensinou o cuidado e preciosismo que o designer deve ter ao diagramar um texto, a posicionar uma imagem, a escolher um matiz. Também sempre admirei muito o trabalho do Miran e, fora do país, Saul Bass, Lubalin, Milton Glaser e Paul Rand. Já entre os parceiros que fizeram diferença em minha vida profissional, posso citar Denílson Pucci, Luciane Krobel, Alessandro Tauchmann, Diego Pianaro, Moacyr Calesco, César Marquesini e muitos outros que dividiram seu tempo comigo em muitos jobs.

ClickMarket – Você pode citar alguns trabalhos marcantes dessa fase?

Zé Henrique –
Tenho muito carinho pela marca do GPP (Grupo Paulo Pimentel), da A Fantástica Loja de Chocolates, pelo perfil de 2000 d'O Boticário, que fiz do começo ao fim, layout, fotos, arte-final e produção.

ClickMarket – Quando se deu e o que motivou a carreira solo?

Zé Henrique –
Foram 10 anos de OpusMúltipla. Confesso que cansei um pouco. Nunca trabalhei fora, não tive experiências em outras agências (por motivos óbvios). Queria sair, arejar, provar para mim mesmo que sobreviveria sem ser o "Zé da Opus". Saí em 2005 para um verdadeiro vôo solo, para fazer coisas que eu tinha vontade de fazer, mas o compromisso com a agência não me permitia.

ClickMarket – Como foi essa nova fase?

Zé Henrique –
Foi melhor do que eu esperava. Logo que saí, consegui realizar um sonho antigo de ser professor. Continuei trabalhando em casa por mais de um ano. Nesse meio tempo, preparei muitas aulas, cursos e workshops. Acabei praticamente fazendo um mestrado em design e comunicação pela quantidade de livros que comprei e li. Foi um momento de voltar aos estudos, reavaliar conhecimentos e fortalecer a prática. Nesse período, atuei através da Zeh Design.

ClickMarket – E agora surgiu a BrainBox...

Zé Henrique –
Sim. A BrainBox é a evolução da Zeh Design e representa o resultado desses anos de gestão, de pesquisas, de colocar no papel conceitos que desenvolvi a vida inteira. Somos uma empresa de design, feita 100% por designers. Atendemos nossos clientes pensando em design, do briefing à produção, da criação ao orçamento. Não temos intermediários, atendimentos, representantes ou qualquer outra forma de telefone-sem-fio. Design no começo, design no fim. Aqui os fins são justificados pelos meios, na maneira especial que vibramos com cada etapa do trabalho, seja ele grande ou pequeno. E não medimos grandeza em cifras, mas no modo ousado de pensar. Pensamos em nossas marcas com um comprometimento contínuo, preparando-as para o futuro. Marcas começam pequenas, assim como a gente, e, por isso, sabemos que todo início deve ser primoroso e impecável. Queremos manter uma equipe pequena e administrar poucos jobs. Tudo aqui deve ser à la carte, nada de buffet de criação. Nada de loucura, noites em claro. Saímos cedo, temos final de semana, temos vida após o expediente. Estamos testando esse modelo há mais de um ano e tem funcionado bem. Esse foi um dos motivos para criar essa nova empresa. Vimos que esse modelo não é loucura nem utopia de criativo. Funciona e reflete nos clientes. Somos mais dispostos e mais alegres. Nosso envolvimento é maior com cada marca que cuidamos.

ClickMarket – Quais os principais trabalhos já assinados pela nova empresa?

Zé Henrique –
Mesmo antes do lançamento oficial, de janeiro até hoje, já desenvolvemos projetos como a programação visual do Centro de Criatividade de Curitiba (marca e sinalização), a sinalização (em implantação) do Palácio das Araucárias, sede do Governo Estadual, em parceria com o escritório de arquitetura CSA, folder institucional para o SESI, linha de embalagens para a Amazônia Natural, nova marca da gráfica Pigmento, calendário/brinde da Opta Gráfica e Bureau, e outras marcas e identidades, que são o carro chefe do estúdio.

ClickMarket – Entre os trabalhos novos, o que está vindo por aí?

Zé Henrique –
São vários projetos em andamento, mas entre os recém concluídos, posso citar a identidade criada para uma nova marca que a indústria de vestuário infantil Pakita, de Maringá, acaba de lançar. Visando o público infantil, foi criado um nome e uma marca capazes de "conversar" com as crianças: Catapof! Tem a ver com ação, emoção, movimento, brincadeira e alegria. Esse projeto, que envolveu vários estudos, nos gratifica muito.

ClickMarket – Que tal a função de professor e formador de jovens profissionais?

Zé Henrique –
Fantástica. É uma experiência que todo profissional deveria ter. Aprendemos muito em cada aula e não só sobre o conteúdo, mas sobre pessoas. Tenho clientes que foram alunos e tenho uma estagiária que é aluna.

ClickMarket – Dá para apostar na nova geração? O que se deve esperar desse pessoal que está ingressando no mercado?

Zé Henrique –
Existem talentos entrando no mercado, mas em geral, percebo certo comodismo nos estudantes, preguiça mesmo. Eles têm acesso a um maior nível de informação, coisa que as gerações anteriores não tiveram, e parece que não sabem usar esses recursos para aprender mais, para complementar o seu aprendizado e até para aprimorar um provável talento nato. Perdem tempo com bobagens e estão mais imaturos. Tenho insistido com meus alunos para que saiam desse marasmo e busquem mais conhecimento. Temos, entretanto, ótimos talentos, aqueles que sabem aproveitar as novas fontes de informações disponíveis. Acredito nessa pequena fatia. Acho que dá para apostar naqueles que estão se esforçando.

ClickMarket – Daí a escolha de um jovem profissional como sócio?

Zé Henrique –
O Ludger foi um achado. Desde que o conheci, já se mostrava ligado em tudo. Foi ousado desde o começo e deu a cara pra bater, arriscou. Num primeiro momento não tive como chamá-lo para vir trabalhar comigo, mas, assim que me organizei, convidei-o. Ele evoluiu muito rápido e sempre se mostrou inquieto com o mundo em sua volta. Queria mais. Sempre me desafiava (no bom sentido) e isso me motivou a oferecer-lhe parte da sociedade. Na BrainBox, a sintonia e harmonia entre nós é excelente. Tem sido divertido.

ClickMarket – O que mudou na comunicação do início da sua carreira aos dias de hoje?

Zé Henrique –
A pressa como as coisas são feitas e a busca por resultados de curto prazo. O perfil do criativo mudou. Ficou mais burocrático, mais imediatista, mais medroso.

ClickMarket – E como está a área de design gráfico?

Zé Henrique –
As empresas começam a perceber a importância em investir em design. O design antecede a publicidade e deve ser encarado como condição obrigatória para o sucesso de empresas, produtos e serviços. Antes de anunciar seu produto ou serviço, a empresa tem que investir na sua marca, na sua identidade – que vai desde a personalidade do produto até um ponto-de-venda, por exemplo – para torná-la competitiva. O sucesso de um empreendimento pode ser alcançado com maior facilidade quando ele conta com uma marca reconhecida no mercado. Com o fortalecimento da marca, os clientes reconhecem a importância da empresa e tendem a valorizá-la. O consumidor não encara mais qualquer oferta. Já virou clichê falar isso, mas é apenas a realidade que vivemos. Acho que de tanto repetirmos essa verdade os empresários estão escutando.

ClickMarket – Em sua opinião, quais as perspectivas para a área?

Zé Henrique –
Com o país em estabilidade, a tendência é de maiores investimentos nas áreas de comunicação. O design, como eu já comentei, é ferramenta de diferenciação e tende a crescer. Muitas empresas têm nos procurado no início do processo, ou seja, na criação de nome, marca, identidade e embalagem. Isso é bom, mostra que os empresários começam a perceber a importância de um bom design para o fortalecimento de um produto.
 

Alguns materiais criados pela BrainBox.
Veja também:
- O design faz a diferença (Especiais - 16/03/2009)
Assuntos relacionados:
Design e Materiais Promocionais

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